Em 25 de julho de 2024, a Resolução 09 da ANVISA, que estabelecia os padrões referenciais de qualidade do ar interno em ambientes climatizados artificialmente de uso público e coletivo, foi substituída pela nova NBR 17037. Essa mudança representa um marco significativo na regulamentação brasileira sobre a qualidade do ar interno, impactando diretamente a forma como os técnicos em refrigeração devem conduzir suas atividades.
No Blog da Pest Cold, vamos detalhar as principais alterações na legislação brasileira sobre a qualidade do ar interno e discutir seus impactos e implicações para os profissionais do setor de climatização e refrigeração.
Entendendo a Nova NBR 17037
A NBR 17037, intitulada "Qualidade do ar interior em ambientes não residenciais climatizados artificialmente – Padrões referenciais", traz atualizações importantes que refletem a evolução tecnológica e o crescente conhecimento sobre os efeitos da qualidade do ar na saúde humana. Confira abaixo as principais mudanças e suas implicações.
Principais Mudanças na Legislação
1. Limite da Concentração de Dióxido de Carbono (CO₂)
Antes: Limite fixo máximo de 1.000 ppm para CO₂.
Agora: Limite definido como 700 ppm acima do valor medido no ambiente externo.
Essa alteração significa que a concentração aceitável de CO₂ será variável, dependendo da qualidade do ar externo, promovendo uma avaliação mais precisa e contextualizada.
2. Avaliação de Partículas em Suspensão (PM10 e PM2.5)
Substituição: A avaliação de aerodispersóides foi substituída pela análise de partículas PM10 e PM2.5.
Limites Aceitáveis: 50 μg/m³ para PM10 e 25 μg/m³ para PM2.5.
O foco agora está na identificação de partículas menores, que possuem maior potencial de causar danos à saúde devido à sua capacidade de penetrar profundamente nos pulmões.
3. Velocidade do Ar
Redução do Limite Máximo: De 0,25 m/s para 0,20 m/s.
Essa mudança visa aumentar o conforto térmico dos ocupantes, reduzindo a sensação de correntes de ar indesejadas.
4. Temperatura e Umidade Relativa do Ar
Padronização dos Limites:
Temperatura: Entre 21°C e 26°C.
Umidade Relativa: Entre 35% e 65%.
Independente da estação do ano, essa padronização simplifica o controle ambiental e melhora a consistência das condições internas.
5. Amostragem de Ar Externo
Nova Obrigatoriedade: Realizar pelo menos uma amostra de ar externo no mesmo período da avaliação interna (manhã, tarde ou noite).
Isso garante uma análise mais abrangente e precisa da qualidade do ar interno em relação ao ambiente externo, considerando variações climáticas e ambientais ao longo do dia.
6. Certificação dos Laboratórios
Exigência: Análises devem ser realizadas em laboratórios que comprovem um sistema de gestão da qualidade conforme a ABNT NBR ISO/IEC 17025 e sejam acreditados por um órgão oficial.
Essa medida assegura a confiabilidade e a precisão das análises realizadas.
7. Programa de Gestão da Qualidade do Ar Interno
Implementação Obrigatória: Elaborar um programa de gestão da qualidade do ar interno conforme a ISO 16000-40.
O objetivo é monitorar continuamente a qualidade do ar e implementar medidas corretivas quando necessário.
Implicações para Técnicos em Refrigeração
As novas diretrizes trazem responsabilidades adicionais para os técnicos em refrigeração. É essencial que esses profissionais se atualizem e ajustem suas práticas para atender às novas exigências.
1. Avaliações Mais Frequentes e Precisão nas Medições
Realizar avaliações detalhadas da qualidade do ar interno com equipamentos calibrados e certificados.
Garantir precisão nas medições de CO₂, PM10, PM2.5, temperatura e umidade.
2. Monitoramento Contínuo
Implementar programas de gestão que exijam monitoramento constante das condições ambientais.
Utilizar sensores de ar em diferentes pontos para coleta de dados em tempo real.
3. Colaboração com Laboratórios Acreditados
Trabalhar com laboratórios que atendam à ABNT NBR ISO/IEC 17025.
Verificar a acreditação dos laboratórios por órgãos oficiais para assegurar a validade dos resultados.
4. Adaptação dos Sistemas de Climatização
Ajustar sistemas existentes para controlar melhor a velocidade do ar.
Regular temperatura e umidade de acordo com os novos limites estabelecidos.
5. Investimento em Educação e Treinamento
Participar de cursos de atualização e workshops sobre a nova legislação.
Manter-se informado sobre as melhores práticas do setor.
Conclusão
As alterações na legislação brasileira sobre a qualidade do ar interno representam um avanço significativo na proteção da saúde pública e na promoção de ambientes internos mais seguros e confortáveis. Para os técnicos em refrigeração, essas mudanças oferecem oportunidades para aprimorar práticas profissionais e fornecer serviços de maior qualidade.
Manter-se atualizado com as novas normas, investir em equipamentos de medição precisos e colaborar com laboratórios acreditados são passos essenciais para o sucesso nesta nova realidade.
Pest Cold – Referência em Climatização e Refrigeração
Palavras-chave:
Qualidade do Ar Interno, NBR 17037, Legislação Brasileira, Técnicos em Refrigeração, Climatização, PM10, PM2.5, CO₂, Conforto Térmico, Certificação de Laboratórios, Gestão da Qualidade do Ar, Pest Cold.
Compartilhe este artigo e deixe seu comentário abaixo!
Comentários
Postar um comentário